Onde andam vocês, antigos carnavais?

“Vem, meu amor, manda a tristeza embora,
é carnaval, é folia, neste dia ninguém chora…”

O Rio na Veia abre alas para a maior festa popular do Rio e apoia o resgate de todas as tradições…

Imaginô? Agora Amassa… e ganhe uma camiseta do bloco

Pra aliviar um pouco o clima do post anterior, vamos falar de coisas mais amenas: festas e presentes, por exemplo.

O Carnaval está chegando. E, com ele, uma enxurrada de blocos de rua, uma tradição carioca recuperada fortemente na última década. Um deles é o Imaginô? Agora Amassa, que todo ano percorre ruas do Leblon, no sábado pré-carnavalesco.

Você veste a camisa de algum bloco do Rio? Quer vestir em 2010? O RnV pode te ajudar. É bem fácil.

Conte alguma coisa que você conheça sobre a turma do Imaginô: qual o trajeto do bloco, os sambas enredos dos anos anteriores, o nome dos artistas que desenharam as camisetas do grupo, ou qualquer outra história envolvendo seus desfiles ou ensaios. Mande até uma foto sua dentro do bloco. Aquele que demonstrar a maior intimidade com o Imaginô ganha a camiseta 2010 pra tirar onda no desfile desse ano. Combinado?

Respostas aqui nos comentários do site, em nossa página do facebook ou pelo e-mail rionaveia@gmail.com. Mas seja rápido porque o Carnaval está chegando e o bloco já vai sair…

Já se Imaginô de camisa nova? Agora Amassa e participe!

Ah! O samba desse ano é em homenagem a Nelson Rodrigues! Vai treinando.

Ouça aqui e decore a letra logo abaixo:

Pelo buraco da fechadura: o Imaginô canta o que viu 
  

‘A partir do Méier começo a ter saudade do Brasil’
Hoje sigo firme para o mar a imaginar
Se há outro caminho pra tomar
‘Sem alma não se chupa um chicabon’
Perdi o tom do meu samba enredo
Pela fechadura espiei (o quê? o quê?)
A vida que é vivida em segredo
 
‘Nem água ao cretino fundamental’
Se ‘o brasileiro é um feriado’
O Imaginô? Agora Amassa! é o carnaval
 
A bonitinha é ordinária de novo!
Onde é que ela tá? Nos braços do povo!
Boca de Ouro! Chegou! Chegou!
É sacanagem o carnaval do Imaginô!
 
É de Canal 100 a domingueira
À sombra das chuteiras imortais
Família, virtude brasileira
Nem todos os desejos são normais
 
Saudade do cronista tão ‘imoral’
Que na prosa foi genial
De um Rio que não volta mais
Morrer e ganhar na loteria, deixa pra lá
Mais que fina ironia, é Sobrenatural
 
Imaginô? aplaudiu, multidão despertou
Quando o pano subiu começou nossa felicidade
Engraçadinha, diz pra que tanto beijo no asfalto
Já não sabe o que quer
A vida como ela é!

Minha alma canta…

O RnV é, antes de tudo, um espaço democrático. Recebemos o e-mail de um carioca que, digamos, não é lá muito fã de nossa cidade. Decidimos reproduzi-lo na íntegra para mostrar outro ponto de vista sobre o Rio e os Cariocas. Um ponto de vista meio mal-humorado, é verdade. Porém, uma opinião. Não nos parecendo uma manifestação agressiva e despropositada, mas, como o próprio autor anuncia, tratando-se apenas de um desabafo, resolvemos abrir o espaço para o texto que se publica a seguir.

Não é preciso dizer que o mesmo espaço estará aberto para todas as outras manifestações contrárias ou favoráveis ao conteúdo publicado. Também consideramos ser evidente que a mensagem enviada não representa, de forma alguma, a opinião do site Rio na Veia.

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CARTA ABERTA AO SITE RIO NA VEIA e outros do gênero.

“Minha alma canta…”

Tô de saco cheio do Rio de Janeiro!

Meu nome é José Armando, tenho 32 anos, e, pra minha felicidade, há 5 deixei a cidade do Rio pra morar bem longe daí.

Sou carioca, sim, pois nasci no Rio, não posso negar. Mas não esse tipo de carioca meio caricato: queimadão de praia, que fala uma porção de gírias, se acha melhor do que os outros brasileiros, pensa que vive na melhor cidade do mundo e, agora, mais ainda, com essa história de Olimpíadas, não para de falar do seu umbigo. Basta ver a quantidade de sites na internet (o Rio na Veia é só um exemplo) que, nos últimos meses, foram criados pra exaltar as belezas e os encantos do Rio e de seu povo. Ah! Que povo maravilhoso…

A cidade é bonita? Pode ser. Pra quem ainda não se esforçou em olhar para os lados, uma notícia: muitos outros lugares no mundo também são fantásticos, ok? E o povo do Rio? Deixe-me dizer uma coisa: eu tenho vergonha de dizer que sou carioca. Não acho nada bacana que me considerem marrento, mal educado, desorganizado. Não gosto do estilo de vida do jeitinho, da bagunça, do remendo, do contrabando. Considero uma pobreza de espírito essa ideia de que tudo no Rio é lazer, é diversão, é aventura…

Há um narcisimo pedante tipicamente carioca. Pode ser que nem todos sejam assim e eu esteja cometendo uma grande injustiça com muitos. Mas não estou me referindo a cada carioca individualmente, e sim ao conjunto. E, sinceramente, pra mim, o conjunto é pobre.

Embora a cidade conviva há anos com um nível inaceitável de violência, com a desordem generalizada e com um crescente empobrecimento cultural, político, econômico e social, sem perspectiva de melhorar, muito pelo contrário, está lá todo mundo a cantar em verso e prosa que o Rio de Janeiro continua lindo.

É exatamente isso que já me encheu o saco! Encheu, não. Já explodiu!

O Cristo é uma das 7 maravilhas do mundo, o Maracanã é o maior, o carnaval é a grande festa popular do globo terrestre, as mulheres são as mais lindas do planeta, blá, blá, blá… Tudo que se refere ao Rio é um verdadeiro espetáculo da natureza, não é? Dá um tempo pra mim…

Cansei! É a minha opinião. Não espero que publiquem meu e-mail em seu site. Certamente não concordam com o que digo. A maioria das pessoas que se desse o trabalho de ler esse desabafo provavelmente atacaria raivosamente essa opinião diversa, o que representa o padrão de manifestação de um povo que se já não se comporta bem com o vizinho de porta ou com o torcedor do próprio time, que dirá com um desconhecido…

Era mais ou menos isso que eu tinha a dizer. Desculpem-me a franqueza, mas acho que um site que se dispõe a falar sobre as coisas do Rio e de seu povo, sob diversas perspectivas, deve entender que existem muitas maneiras de se interpretar uma mesma obra de arte (?).

Atenciosamente,

José Armando, nascido no Rio de Janeiro.

Achados e Perdidos – RnV

O nosso poetinha Vinícius de Moraes eternizou a ideia de que a vida é a arte do encontro, apesar dos desencontros. Pensando nisso, o Rio na Veia resolveu criar a sua sessão de Achados & Perdidos, na qual os cariocas poderão, com a ajuda de outros cariocas, procurar coisas, pessoas ou lugares perdidos por aí ou informar sobre aquilo que por acaso foi parar na sua mão e não lhe pertence.

Não lembra o nome de um lugar que costumava frequentar na infância? Quer saber o nome da menina do metrô que você encontra todo dia de manhã? Esqueceu o nome do professor de ciências que cantava durante as aulas da escola? Encontrou um relógio novinho no banco do ônibus? Comeu um petisco delicioso numa birosca escondida que ninguém conhece?

Essa é a idéia do Achados & Perdidos – RnV. Encontros, descobertas, novidades, colaboração e uma mãozinha dos amigos. Escreva para rionaveia@gmail.com, descreva o que você achou ou perdeu e, certamente, os cariocas vão te ajudar a encontrar alguma coisa.

Feliz Rio na Veia pra você também!

Hoje cedo, liguei para o meu editor sob o pretexto de lhe desejar feliz ano novo. Meu real objetivo era filar uma festa 0800 na mansão do boss em Copa. Como ele não mordeu a isca, só me restou a vingança de provocar:

– E o Rio na Veia, mermão? Morreu? Até quando vai ficar nessa estátua do Papai Noel infartando? Coloca pelo menos uma gata de biquininho.

Mas o cara é ninja. De bate pronto, mandou de volta:

– Mermão, tu tem até o fim do dia pra mandar um texto sobre o 2010 do Rio na Veia. Seu reveillon depende disso.

Ok, ok. Jornalismo é a arte de beber de graça. E jornalismo carioca é a arte de entornar de graça ali perto da Prado Júnior. Então, lá vai meu passaporte para a felicidade.

Pra começar, uma confissão. Ninguém sabe qual vai ser a próxima onda do Rio na Veia. Até aí, tranquilo, brou. Ou você acha que o Steve Jobs pensava em vender ipods quando fundou uma empresa chamada Maçã ?!?

Nossas reuniões de pauta parecem brainstorm do Pinel, e sempre acabam com a galera consultando o twitter da Lei Seca. Algumas das ideias mais revolucionárias surgem nessas reuniões. Do nada, alguém sugere:

– E se a gente tentasse marcar um choppinho com o Capitão Nascimento e o Zé Pequeno numa birosca da Cidade de Deus?

Ou então:

– Sabe essas vacas do Cow Parade? E se a gente promovesse um Bode Parade na Feira de São Cristóvão?

Nem todas as ideias acabam vingando. Mas algumas prosperam:

– Vamos amarrar uma câmera no guidon da bike e sair por aí filmando o Rio.

 Bom, vocês já conhecem o duguidão.

O ano de 2010 será decisivo para o futuro do Rio na Veia. A maioria dos botequins vai à falência antes de completar um ano. Não por falta de clientes, mas porque o dono bebe junto com eles.

Na internet é justo o oposto. Se rolar um chopp com os clientes, tanto melhor. O sucesso de qualquer projeto de conteúdo depende da habilidade em atrair pessoas dispostas a compartilhar ideias. E compartilhar ideias é muito mais do que escolher o próximo vencedor do Big Brother.

Ideia. Eis a palavra-chave.

Aí vai uma novidade. Textos assinados. Meu nome é Aldo Rei e estarei por aqui ano que vem.  

Pra mim, 2010 será um ano Rio na Veia, mermão!

Aldo Rei é carioca e jornalista. Até agora ninguém o conhece. Quer escrever pro Rio na Veia pra ver se fica famoso.

Que Rio é esse?

Você se considera um carioca da gema? Conhece bem o Rio de Janeiro? Cada lugar da cidade? Os bairros, as ruas, os recantos mais escondidos? Tem certeza?

O Rio na Veia quer saber se você é brother mesmo. Vamos combinar assim: a gente publica uma foto do Rio por vez e você nos conta alguma coisa sobre o local fotografado. Pode ser qualquer coisa. O que já te aconteceu ali, alguma curiosidade sobre o passado do local, ou qualquer outra abobrinha. Só tem uma coisa: nós não vamos dar dica nenhuma, valeu? Não pense que vai ser sempre uma moleza… Use o espaço para comentários pra dividir suas impressões com a gente.

Ah! As fotos são nossas, mas você pode usar como quiser. Basta mencionar que foi a gente que clicou, ok?

Trocando uma Ideia com André Diniz

Ele é historiador da música popular brasileira. Publicou, pela Editora Jorge Zahar, as biografias dos músicos Anacleto de Medeiros e Joaquim Callado. Pela mesma editora, escreveu os Almanaques do choro, do samba e do carnaval. Com Juliana Lins, publicou cinco livros infanto-juvenis, na Editora Moderna, contando a vida dos compositores Pixinguinha, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa, Braguinha e Noel Rosa.

   

Atualmente, André Diniz trabalha em alguns novos projetos com lançamento previsto para o ano que vem. Um deles aborda história e música popular: “República Cantada: do Abre Alas a Lula, de Deodoro ao funk.”

É nesse clima que André Diniz troca uma ideia com o RnV sobre música, história, Rio de Janeiro, samba, choro, bossa nova e funk.

Já é quase carnaval no Rio de Janeiro…

RnV: Em seus livros, a música é quase sempre o centro de tudo. Artistas, ritmos, festas populares e danças. Como foi despertado esse seu específico interesse?

André Diniz: É difícil precisar. Mas tenho a impressão de que todos os brasileiros nascem em algum ambiente musical. Uns vão ouvir os ritmos, outros são privilegiados na arte de compor, cantar e tocar; eu me insiro no quesito divulgação. Gosto tanto de música, que só sobrou, devido à minha falta de habilidade, divulgá-la. Tenho todos os instrumentos em casa e nenhuma capacidade para tocá-los. Costumo dizer que trocaria todos os livros que fiz por um acorde bem executado…

RnV: Qual a importância de contextualizar cada objeto de pesquisa ao momento histórico em que se inserem? Como a História explica melhor a evolução do choro, do samba, ou do carnaval no Rio de Janeiro?

André Diniz: Nenhuma arte pode ser explicada sem o seu contexto histórico. E a música não foge a essa regra. O samba só se tornou um gênero nacional pelo contexto histórico do surgimento do rádio, da consolidação da miscigenação da população carioca e, do ponto de vista da política, da sedimentação do Estado dirigido pelo presidente Getúlio Vargas que valorizou a relação com os setores populares. Porém, ao mesmo tempo, a arte não poder ficar circunscrita ao período que a gerou. Ela transcende o momento da sua criação, por isso, até hoje, apreciamos a arte grega, romana, renascentista e ouvimos as obras de Pixinguinha, Villa-Lobos, Tom Jobim, entre outros.

RnV: André, você já resgatou a história de personagens muito importantes para a evolução musical do Rio de Janeiro, como Anacleto de Medeiros. Por que alguém tão importante para um determinado movimento musical como o choro foi esquecido ou ignorado por grande parte da sociedade carioca?

André Diniz: É realmente uma tarefa meio maluca. Tanto em relação ao livro do Anacleto quanto ao livro do Callado, passei meses nos arquivos da cidade para achar pouquíssimas informações. Acabei tendo que unir o faro de historiador com uma habilidade de escritor, que ainda tento construir, para recompor a vida desses singulares personagens da história do choro. Não sei se ficou bom, mas ao menos os biografados ganhavam uma vida que não tinham na nossa literatura musical. Facilitei o trabalho de futuros pesquisadores do choro.  

RnV: Em sua opinião, que outros movimentos tipicamente cariocas merecem ainda ser resgatados? De que forma tais expressões culturais podem ajudar a contar a história do Rio de Janeiro?

André Diniz: Parte dessa pergunta estou respondendo no meu próximo livro, da Editora Zahar, que sai no ano que vem: “A República Cantada: história do Brasil e música popular – do Abre Alas a Lula, de Deodoro ao Funk”. Finalmente, os pesquisadores, nas últimas décadas, descobriram que a música não é só boa para ouvir, mas também para pensar. Todos os nossos sonhos, desejos, desencantos, projetos, ideologias, foram retratados de uma alguma forma no cancioneiro popular. E existe ainda uma infinidade de pesquisas que podem ser feitas para melhorar a compreensão desses muitos Brasis que temos por aí. No Rio, especificamente, surgiram o choro, o samba urbano, a bossa nova, o funk… Todos cantam a cidade. O choro dos funcionários públicos do início da República, com suas rodas que varavam a madrugada; o samba que uniu em sua rítmica a miscigenação e a geografia social da cidade; a bossa nova que emergiu em uma zona sul encantada e bronzeada e o funk, retrato em branco e preto de nossas favelas e periferias contemporâneas…

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