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Na contramão da folia

Ele é escritor e fotógrafo. Autor do romance “O adorador” (2007), Zeca Fonseca escreveu também a crônica “Alegria Fantasiada”, publicada originalmente no carnaval de 2008. Na contramão da folia, Zeca vê um outro lado da aventura momesca que todo ano para o Rio de Janeiro. Pra ele, contrariamente à multidão que seguiu as centenas de blocos durante os últimos dias na cidade, o carnaval é um saco!

O Rio na Veia acha um saco a falta de opinião. Por isso, publica a opinião do Zeca. E entende que uns gostam de carnaval. E outros não. Assim, polêmica, a vida fica bem mais interessante…

Com a palavra, Zeca Fonseca. Depois, quem tiver  opinião.

                                              Alegria fantasiada

O carnaval é um saco!

Uma festança generalizada prevista para durar quatro dias. É também a coisa mais chata que existe para quem detesta folia. Pessoas estão doentes, deprimidas, tristes ou apenas sem alegria. São mulheres e homens incapazes de viver uma data tão festiva. Sem fantasias para cobrirem suas feridas abertas.

Fluidos negativos ziguezagueiam nesta época do ano. O Rio de Janeiro fica repleto de foliões, pra lá de animados, vindos dos mais variados pontos do Brasil e do planeta. E, não podemos esquecer, temos aqui problemas graves. A violência continua latente, apesar de rolar um certo cessar fogo histórico durante o carnaval. Uma cidade não pode ser maravilhosa sem paz. Tentar disfarçar o mau funcionamento desta metrópole, sitiada, é como cobrir com glacê um enorme bolo solado.

No Rio, o carnaval é uma festividade de alto risco. Virou banalidade a proliferação de balas perdidas e de doenças contagiosas. São muitas as moléstias que se pode contrair alegremente.

O que importa é a diversão. Eu sei. Mas não passa pela minha cabeça ir para a rua, e misturar-me àquela alegria artificial e imperativa. Não sou contra a alegria, quero apenas frisar que existem infelizes.

Vamos pensar: o que faz um infeliz, sozinho, no carnaval?

Os alegres, as colombinas bêbadas e os pierrôs drogados, refestelam-se nos blocos como almas penadas. Procuram alguma coisa que desconhecem. Talvez a morte. Mas, como é carnaval, ela está fantasiada de vida.

O mais incrível é que nos blocos que eles se arrastam, todos estão vividamente fantasiados por fora, mas falecidos por dentro. Seguem com suas carcaças requebrando ao som do tamborim, ignorando que fazem parte de um cortejo fúnebre, onde o final não é um enterro e sim uma grande ressaca. A sociedade se prepara para a diversão e esquece seus problemas.

Este período carnavalesco é um hiato no fluxo de lama diária que se deposita na conta de cada pessoa, feliz ou infeliz. O carnaval funciona como uma descarga ao jogar para longe toda a podridão indesejável. Mas não adianta. É como uma anestesia onde o efeito dura quatro dias. Depois, acaba. Existe alegria. Mas soa falsa. Uma miragem ambulante que ilude a todos nós. Inclusive a mim.

Na quarta-feira de cinzas, depois que toda poeira de coliformes fecais ressequidos abaixar, a nossa vida voltará a ser a mesma coisa de antes. Continuaremos atraídos por nós mesmos. Qualquer reflexo nos encanta. A nossa imagem, impressa no espelho, revela que somos perfeitos espantalhos. Espantamos o que resta de nós, naquilo que vemos refletido.

Quanto mais me olho no espelho, menos vejo quem realmente sou. Possuo algum tipo de melancolia crônica de origem, totalmente, desconhecida. Nem me preocupo mais. Quero ficar bem, mas não forçarei a barra para parecer feliz. Assumirei que estou em outra vibração.

Não me deixarei seduzir pela boiada feliz, rumo ao pasto de bosta em que se transforma o Rio no carnaval. Pastam no asfalto sujo e relincham de prazer.

Eu, assim como muitas pessoas, descansarei. Lerei muito e escreverei um pouco. Verei filmes; os cinemas ficam mais vazios e as locadoras oferecem promoções irresistíveis. Passearei na orla da lagoa ou na areia da praia; observarei as pessoas que estiverem lá. Serão semelhantes meus. Do contrário, estariam dormindo.

Terei sempre à mão a programação dos blocos de carnaval. E o mapa da cidade para facilitar a minha fuga, caso resolva sair de casa.

Hei de sobreviver na contramão desse carnaval.

Zeca Fonseca

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Carnaval de rua do Rio de Janeiro

Precisa explicar o que é?

Onde andam vocês, antigos carnavais?

“Vem, meu amor, manda a tristeza embora,
é carnaval, é folia, neste dia ninguém chora…”

O Rio na Veia abre alas para a maior festa popular do Rio e apoia o resgate de todas as tradições…

Imaginô? Agora Amassa… e ganhe uma camiseta do bloco

Pra aliviar um pouco o clima do post anterior, vamos falar de coisas mais amenas: festas e presentes, por exemplo.

O Carnaval está chegando. E, com ele, uma enxurrada de blocos de rua, uma tradição carioca recuperada fortemente na última década. Um deles é o Imaginô? Agora Amassa, que todo ano percorre ruas do Leblon, no sábado pré-carnavalesco.

Você veste a camisa de algum bloco do Rio? Quer vestir em 2010? O RnV pode te ajudar. É bem fácil.

Conte alguma coisa que você conheça sobre a turma do Imaginô: qual o trajeto do bloco, os sambas enredos dos anos anteriores, o nome dos artistas que desenharam as camisetas do grupo, ou qualquer outra história envolvendo seus desfiles ou ensaios. Mande até uma foto sua dentro do bloco. Aquele que demonstrar a maior intimidade com o Imaginô ganha a camiseta 2010 pra tirar onda no desfile desse ano. Combinado?

Respostas aqui nos comentários do site, em nossa página do facebook ou pelo e-mail rionaveia@gmail.com. Mas seja rápido porque o Carnaval está chegando e o bloco já vai sair…

Já se Imaginô de camisa nova? Agora Amassa e participe!

Ah! O samba desse ano é em homenagem a Nelson Rodrigues! Vai treinando.

Ouça aqui e decore a letra logo abaixo:

Pelo buraco da fechadura: o Imaginô canta o que viu 
  

‘A partir do Méier começo a ter saudade do Brasil’
Hoje sigo firme para o mar a imaginar
Se há outro caminho pra tomar
‘Sem alma não se chupa um chicabon’
Perdi o tom do meu samba enredo
Pela fechadura espiei (o quê? o quê?)
A vida que é vivida em segredo
 
‘Nem água ao cretino fundamental’
Se ‘o brasileiro é um feriado’
O Imaginô? Agora Amassa! é o carnaval
 
A bonitinha é ordinária de novo!
Onde é que ela tá? Nos braços do povo!
Boca de Ouro! Chegou! Chegou!
É sacanagem o carnaval do Imaginô!
 
É de Canal 100 a domingueira
À sombra das chuteiras imortais
Família, virtude brasileira
Nem todos os desejos são normais
 
Saudade do cronista tão ‘imoral’
Que na prosa foi genial
De um Rio que não volta mais
Morrer e ganhar na loteria, deixa pra lá
Mais que fina ironia, é Sobrenatural
 
Imaginô? aplaudiu, multidão despertou
Quando o pano subiu começou nossa felicidade
Engraçadinha, diz pra que tanto beijo no asfalto
Já não sabe o que quer
A vida como ela é!