Trocando uma Ideia com Pedro Miranda

Ele dispensa apresentação. Ao menos para aqueles que, de alguma forma, testemunharam o movimento cultural de resgate do samba de raiz e do carnaval de rua na Lapa e no Centro da Cidade do Rio de Janeiro. Quem frequentou, durante essa última década, casas de samba como o Bar Semente, o Centro Cultural Carioca e o Carioca da Gema, ou ainda, acompanhou o Cordão do Boitatá, um dos mais tradicionais blocos de carnaval de rua do Centro do Rio, sabe muito bem quem é esse carioca. Dono de uma voz inconfundível, cujo timbre remete aos mais clássicos perfis do samba, o artista lança agora o disco ‘Pimenteira’, com inéditas de Nelson Cavaquinho, Elton Medeiros, Nei Lopes, Alfredo Del-Penho, Edu Krieger e Moyseis Marques, entre outros compositores de todos os tempos.

Há anos ele também coloca o seu talento a serviço de conjuntos como o Grupo Semente, conhecido por acompanhar a cantora e compositora Teresa Cristina, e Samba de Fato, responsável pela realização de um elogiado tributo ao grande Mauro Duarte, ao lado de Cristina Buarque.

Respondendo a apenas 3 perguntas, Pedrinho, como é conhecido por seus amigos e fãs, é capaz de sintetizar passado, presente e futuro, reencontrando as raízes dessa paixão infinita que tem pelo samba.

Se você já gosta do Pedro, descubra um pouco mais sobre sua personalidade, tão revelada nas próximas linhas. Se ainda não o conhece, não perca mais tempo.

Aproveite pra ouvi-lo em http://www.myspace.com/pedrinhomiranda.

Rio na Veia orgulhosamente apresenta: PEDRO MIRANDA

RnV: Onde está a raiz do samba na sua vida? Resumidamente, como se deu a sua trajetória musical?

Pedro Miranda: Foi aos meus 19 anos, lá pros idos de 1996, quando eu conheci o disco Roda de Samba, do conjunto “A Voz do Morro”. Nessa época, eu já me interessava por música brasileira, vivia em sebos, já tinha devorado toda a coleção de discos Marcus Pereira com música popular de todo o Brasil, já tocava pandeiro e outros instrumentos de percussão. Esse interesse pela cultura brasileira já tinha até me levado, com alguns integrantes do Cordão do Boitatá, a viajar para o norte e nordeste do país, para conhecer de perto essas manifestações culturais. Essa viagem abriu muito a minha cabeça, me fez olhar o nosso país de outra forma.

Quando eu voltei pro Rio, e conheci esse disco – do qual participavam Paulinho da Viola, Elton Medeiros, Zé Ketti, Jair do Cavaquinho, Nelson Sargento, Anescar do Salgueiro, Oscar Bigode e Zé Cruz – um grande universo se abriu à minha frente. Eu fiquei muito impressionado com aquela sonoridade, aquelas melodias, aquele jeito de tocar e cantar. E conforme eu fui descobrindo mais sobre eles, cada um desses sambistas, foi se desdobrando em inúmeros parceiros, discos, escolas de samba e histórias. A partir daí, foi um caminho sem volta. Mais tarde, eu tive a honra de conhecer pessoalmente e até trabalhar com muitos desses artistas.

RnV: Pedro, você participou ativamente do renascimento de verdadeiras instituições cariocas, como o samba de raiz, o carnaval de blocos de rua, as marchinhas, a gafieira e os bares da Lapa. Esse movimento parece consolidado. Agora é preciso pensar o futuro. Quais são as suas expectativas em relação à herança que esse movimento pode representar para as próximas gerações? Em outras palavras, o que anda rolando nos bastidores com o objetivo de preservar, de forma duradoura, essa conquista fantástica que tivemos na cena cultural carioca?

Pedro Miranda: Eu acho que a minha geração foi buscar o elo perdido da música brasileira. A ditadura gerou uma geração alienada, que não conhecia a cultura brasileira, ou então, conhecia, mas não valorizava. Bom era o que vinha de fora, principalmente dos EUA. Eu mesmo, quando voltava da escola, no final dos anos 80, ouvia no rádio as músicas da Jovelina, achava engraçado, ficava zombando – tenho até vergonha de dizer isso – dizendo que era música de suburbano. Depois, fui descobrir que era mesmo música do suburbano, mas isso só me faz gostar mais ainda. Eu percebi que no subúrbio, de certa forma, a raiz se preservou, apesar de ser culturalmente marginalizada. Esse movimento dos anos 80, com o grupo Fundo de Quintal, a turma da Cacique de Ramos, o Zeca Pagodinho, a Jovelina, entre outros, foi muito importante para o que está acontecendo hoje, eles seguraram a chama acesa.

Na minha opinião, todo esse resgate foi realmente necessário. Eu, quando comecei a conhecer tudo isso, tinha uma sensação controversa, ao mesmo tempo que eu não conhecia quase nada, eu sentia que aquilo tudo fazia parte de mim. Eu só queria saber de ir pra Madureira…

Agora a música brasileira pode ir adiante, fundamentada em sua tradição. Só podemos construir um edifício depois de fazer a fundação. Só podemos caminhar rumo ao futuro, conhecendo nosso passado.

RnV: Seu novo CD Pimenteiras já parece ter nascido fadado ao sucesso, muito elogiado pela crítica e por grandes artistas, como o Caetano Veloso. O que tem de mais carioca nesse trabalho? E o que a pimenta tem a ver com o samba?

Pedro Miranda: Fico muito feliz com a aceitação do disco. Ainda mais por ser um trabalho totalmente independente, esse reconhecimento é muito recompensante.

Acho que é um trabalho bem representativo do Rio de Janeiro e da cultura carioca em geral. Agora, o que ele tem de mais Carioca eu não sei dizer.

Já a pimenta, assim como a feijoada, a cabritada, a galinha à cabidela, o angu à baiana (que apesar do nome, é um prato bem carioca), e uma boa peixada, tem tudo a ver com o samba. Aliás, em um bom pagode não pode faltar uma comida bem gostosa.

Além da participação de Pedro Miranda, o Rio na Veia agradece a colaboração de Monica Ramalho (www.monicaramalho.com.br), assessora de imprensa do cantor, na produção dessa entrevista.

 

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3 Respostas para “Trocando uma Ideia com Pedro Miranda

  1. Já era fã… e agora muito mais!
    Segunda-feira estarei firme e forte no show!

  2. Show de bola a entrevista ! Pedrinho e o samba apimentados !!

  3. Tem muitos anos que sou fã do “Pedrinho”, desde quando comecei a ir atras do Boitatá,a voz dele sempre me remeteu as marchinhas,fiquei super feliz em estar próxima a esse cantor que sou tão fã.

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