Trocando uma Ideia com Angela Dutra de Menezes

Angela Dutra de MenezesEla é escritora, jornalista e avó-coruja, segundo ela mesma. Com obras publicadas em Portugal e na Espanha, Angela Dutra de Menezes se caracteriza pelo texto ágil, lírico e bem humorado. “A tecelã de sonhos” é o seu sétimo livro. No próximo dia 27 de outubro, Angela relançará seu best seller “O Português que nos Pariu”, que já vendeu mais de 60 mil cópias, no Botequim Chico & Alaíde, no Leblon, com chopp e bolinho de bacalhau para seus convidados. Tem coisa mais carioca? Ou será portuguesa?

Essa simpática carioca está sempre à disposição dos leitores em www.dutrademenezes.blogspot.com.

RnV: Como nasceu a ideia encontrada logo no início do livro de relacionar história e receitas culinárias? Você acha que o ensino nas escolas poderia ser mais parecido com a forma que você usa para narrar os fatos históricos?

Angela D. Menezes: Eu queria escrever um livro que falasse para a nova geração de brasileiros, que se distancia de nossa História remota, enraizada em Portugal, quem foram as pessoas e quais os fatos que marcaram indelevelmente a História e a Cultura brasileira. Para isso, antes de mais nada, precisava dizer quem são os portugueses. Tinha duas opções: escrever de maneira tradicional, que não encanta ninguém, ou “pescar” o leitor logo de saída, com um texto bem original. Então, pensei na “Receita de Português”. É uma receita de bolo, com Ingredientes e Modo de Fazer porque o português também é conseqüência da miscigenação de muitos povos. Escrevendo esta Receita também encontrei o tom do livro, que tem um texto fácil de ler. A História é muito interessante, curiosa, instigante. Não precisa ser ensinada de maneira “quadrada”. Acho que é por isso, pelo jeito com que narro os fatos, dessacralizando heróis e mitos, que o livro faz tanto sucesso.

Convite portuguesRnV: Na sua opinião, o que há de mais carioca em Portugal e o que há de mais portuga no Rio de Janeiro?

Angela D. Menezes: No Brasil todo, sempre, a língua portuguesa, claro. Agora, o Rio de Janeiro, por ter sido o porto preferencial de levas e levas de imigrantes que chegaram aqui aos milhares no fim do século XIX e início do XX tem muitas características portuguesas. Os restaurantes, a comida – acho que, nem em Portugal, se come tanto bolinho de bacalhau – a arquitetura, os botequins (olha aí, o “Chico&Alaíde” onde vou relançar o meu livro), a estrutura familiar, influência na música (nosso chorinho nasceu de músicas de artistas que tentavam reproduzir o som dos bailes imperiais na Quinta da Boa Vista), as festas religiosas. Nossa, a influência portuguesa no Rio de Janeiro é imensa. Nem dá para listar.

RnV: Além do (re)lançamento do livro, que outros projetos você tem em mente e como eles se relacionam com as coisas do Rio?

Angela D. Menezes: Acabei de lançar um livro, “A tecelã de sonhos” (Editora Record) que traça um painel da cidade do Rio de Janeiro entre os anos 1960 e 2000. Sou carioca, nasci e cresci em Ipanema. 90% do que escrevo é ancorado na minha cidade. Não sei qual é o meu próximo projeto. Ele acontecerá como todos os outros, de repente. É muito provável que se relacione ao Rio. Afinal, aqui é o meu lugar. Eu sou aquele tipo de carioca que não toma jeito. Acha que a cidade se deteriora a cada dia, reclama, esperneia, mas adora isso aqui e não troca esta cidade por lugar nenhum do mundo.

 

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